Modernismo no Brasil – um resumo

1. Antecedentes da Semana de 22

Ritmo (torso) – Anita Malfatti
Ritmo (torso) – Anita Malfatti

Inspirada pelo que viu em sua viagem pela Europa e nos Estados Unidos, a pintora Anita Malfatti trouxe para o Brasil em 1916 caixas e mais caixas com a sua produção artística. Na época, seus quadros foram considerados feios, dantescos, pelos membros da sua família. No ano seguinte, durante a exposição de sua obra, recebeu a princípio críticas positivas, mas Monteiro Lobato, uma grande influência na época, escreveu uma crítica muito negativa a respeito de suas telas. Após essa crítica, a produção de Anita Malfatti nunca mais foi a mesma, mas mesmo assim seu papel foi crucial para o Modernismo no Brasil. Com as obras de Anita Malfatti, o pontapé inicial foi dado, e a arte brasileira alcançou outras alturas. Essa imagem, Ritmo (torso), teria sido o alvo principal da crítica contundente de Monteiro Lobato.

2. Semana de 22

cavalcantiA idéia de realizar a Semana de Arte Moderna em São Paulo partiu de Emiliano Di Cavalcante, que também foi o responsável pela arte da capa do catálogo. Na época, todos percebiam que a arte não estava acompanhando as inovações da tecnologia, já que tudo avançava tão rápido mas as artes plásticas, a literatura e a música continuavam seguindo o mesmo modelo antigo. Na época a idéia da Semana de Arte Moderna havia sido despretensiosa, uma “semana de loucuras”, proposta por um grupo de amigos que desejavam mudanças. Mas, historicamente, veio a se perceber sua importância. A Semana de 22, como depois passou a ser conhecida, foi um marco para a arte brasileira, levando-o ao Modernismo.

3. Movimento Pau-Brasil

Estrada de Ferro Central do Brasil – Tarsila do Amaral
Estrada de Ferro Central do Brasil – Tarsila do Amaral

O Movimento Pau-Brasil surgiu em 1924, lançado por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, com o Manifesto da poesia Pau-Brasil. No manifesto, Oswald de Andrade defendia uma poesia pós-portuguesa, tipicamente brasileira, livre e primitiva, sem influências livrescas, espontânea, original. Ele define a cultura brasileira como um produto de exportação como o pau-brasil, que nada deve à cultura européia. Tarsila do Amaral pinta essa inventividade, essa surpresa, essa síntese, esse afastamento do naturalismo, tentando evocar o que seria o mais básico do Brasil. Na obra Estrada de Ferro Central do Brasil está uma clara visão do ideal contido no manifesto.

4. Movimento Antropofágico

Abaporu, Tarsila do Amaral
Abaporu, Tarsila do Amaral

Novamente em parceria com o marido Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral funda um segundo movimento, o Movimento Antropofágico. No manifesto, Oswald usa a analogia da cultura indígena canibal, de comer o estrangeiro para assimilar sua força, para dizer que o Brasil deve assimilar a arte e a cultura estrangeiras, conhecê-las, devorá-las e digeri-las, dando-lhes então feições brasileiras. A palavra de ordem torna-se a “apropriação”: pegar aquilo de melhor que há no estrangeiro e dar-lhe tons brasileiros, como se o brasileiro fosse capaz de se alimentar de cultura e tornar-se, através dela, mais forte. Nessa época, Tarsila pintou o Abaporu, um nome de origem indígena que significa “antropófago”.

5. 2º Modernismo

Café, Cândido Portinari
Café, Cândido Portinari

Nesse segundo momento do Modernismo brasileiro, que pode facilmente ser representado pela tela Café, de Portinari, há um grande desejo de construir, de recompor valores e configurar essa nova estética. É uma geração mais grave, mais preocupada com o destino do mundo, com as dores humanas, com os desconsertos do capitalismo. Portinari, nessa tela, oferece suas origens, do trabalho e do suor na fazenda de café em que nasceu.

6. Década de 50: Concretismo

Sem Título, Ivan Serpa
Sem Título, Ivan Serpa

O Concretismo foi um movimento vanguardista da década de 50, que defendia a racionalidade, rejeitando o expressionismo e a arte emocional, lírica e aleatória. A busca era a de encontrar uma nova linguagem, trabalhando figura e fundo, forma e conteúdo, usando a razão. Não-figurativos, se preocupavam com a organização do espaço, viam a forma como algo que falava por si, que não precisava possuir implicações subjetivas. Ivan Serpa foi um dos pioneiros do Concretismo no Brasil, e um de seus expoentes na pintura.

7. Década de 50: Neo-Concretismo

Bichos, Lygia Clark
Bichos, Lygia Clark

O Neoconcretismo surgiu no Rio de Janeiro como reação ao Concretismo. Para os Neoconcretistas a arte não era um objeto: era dotada de sensibilidade, expressividade, subjetividade. Queriam mais do que simplesmente a forma geométrica pura. Buscavam retomar as capacidades criadoras do artista, e envolver o observador nas obras, convidando-o a tocá-las, modificá-las. Um bom exemplo disso está na série Bichos, da Lygia Clark, uma série de construções metálicas articuladas, que o observador poderia mexer e alterar para obter efeitos diferentes.

8. Década de 50: Informalismo

Sem Título, Fayga Ostrower
Sem Título, Fayga Ostrower

O Informalismo, nascido como resposta à visão Concretista e Neoconcretista da arte, foi também chamado de Expressionismo Abstrato. Para os Informalistas, a arte não pode ser regulada por uma ordem estabelecida antes da sua execução. A subjetividade e a liberdade plena de expressão de cada artista são a prioridade. A arte não pode ser definida por teorias, e pode apenas encontrar um real desenvolvimento no fazer. Fayga Ostrower contribuiu muito para o Informalismo com sua arte. Suas obras, dotadas de movimento, cor e transparências, expressavam todo o ideal Informalista, carregadas de subjetividade.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s