Sobre a Arteterapia

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A Arteterapia origina-se em duas áreas do saber distintas: de um lado a Arte (seja ela plástica – desenho, pintura, escultura, artesanato – ou performática – teatro, música, dança) e do outro a Psicologia. Portanto, ela apodera-se dos materiais, ferramentas e fazeres próprios da Arte e os aplica dentro do contexto do tratamento psicológico.

Devido a essa dupla origem, a Arteterapia possui um campo vasto de atuação, podendo ser utilizada tanto pelo psicólogo em seu consultório como mais uma ferramenta para analisar seus pacientes, quanto pelo professor de Artes em sua sala de aula ou atelier, como forma de aprofundar sua percepção dos trabalhos de seus alunos. O fazer artístico possui a vantagem de ser acessível por pessoas de várias idades, origens e histórias pessoais, sendo um recurso utilizado em terapia para crianças pequenas e para idosos, para população carcerária e donas de casa solitárias, para deficientes físicos e pessoas com distúrbios psiquiátricos.

A Arteterapia pode ser usada para aumentar a autoestima e o relaxamento, diminuir a ansiedade e a insegurança, descarregar tensões, promover a autoexpressão, a criatividade e a imaginação, e também auxilia na comunicação de sentimentos, conflitos e ideias, devido à sua natureza subjetiva e simbólica. Muitas vezes é através da arte que a pessoa conseguirá expressar, de forma não-verbal, aquilo o que não é capaz de dizer, ou até mesmo compreender, sobre si mesma. Por isso também podemos dizer que a Arteterapia possibilita a auto-observação e o autoconhecimento.

O produto artístico dentro desse contexto não é exatamente como o trabalho do artista, pois não exige habilidade prévia, nem será analisado do ponto de vista estético (forma, cor, ritmo, etc.) É, antes, um veículo de comunicação, entre o interior de quem o produziu e o terapeuta. A análise do significado deste produto será um trabalho conjunto, pois quem fornecerá o vocabulário de símbolos pessoais que dará sentido à mensagem é quem a está transmitindo, não o terapeuta.

Outra forma comum de trabalhar com Arteterapia é quando, ao invés do produto, o processo é valorizado, assemelhando-se um pouco ao trabalho do terapeuta ocupacional. Simplesmente o ato de dançar, cantar, fazer artesanato, pintar ou desenhar possui imenso valor terapêutico, contribuindo para o desenvolvimento, amadurecimento e crescimento psíquico da pessoa.

O primeiro a usar a Arteterapia em seu trabalho foi Carl Jung, que usou de seus estudos de símbolos e arquétipos como forma de melhor analisar os trabalhos de seus pacientes, vendo a arte como uma expressão do inconsciente – da sombra. Mas outras formas de psicoterapia – além da Psicologia Analítica – que são comumente aliadas à Arteterapia são o Psicodrama e a Gestalt-terapia. O Psicodrama usa ferramentas do teatro para investigar, trabalhar e ressignificar as interações humanas, as relações interpessoais e a resolução de conflitos. Já a Gestalt-terapia, que vê o homem como um organismo, um todo no qual o corpo e a mente são uma coisa só, indissociáveis, usa a Arteterapia como uma forma de auxiliar esse organismo de interagir com o meio de forma mais saudável.

O trabalho arteterapêutico, em qualquer linha que se opte por seguir, tem demonstrado resultados muito positivos nas mais variadas situações, gerando muitas vezes um processo terapêutico mais curto, mais satisfatório e mais eficaz.

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